Você tem certeza que me perdoou?
Mas em Bojack essa dor é, na verdade, o estímulo para que ele continue — mesmo que seja para cometer os mesmos erros. Além de saber como não ser influenciado, precisamos saber se de fato é ruim ser baseado nele. Escapei de situações por sua causa, o passado já foi presente e pode se tornar novamente em decorrência da ação, se vamos agir novamente como antes ou se realmente vamos tomá-lo como aprendizado.
Estou escrevendo meu próximo livro com esse tema, finalmente eu havia superado o passado o suficiente para poder escrever sobre ele e a demora para concluir já não me incomoda mais. Tive que pausar a escrita por longos períodos porque mesmo com a ideia de superação, ainda sim era o passado. Mas recentemente percebi meu conforto em estar dentro dos meus pensamentos enquanto escrevia, como se de alguma forma viver aquilo novamente não fosse doer. O passado não era mais o meu inimigo, ficou incrivelmente fácil lidar com ele, mas também a ideia de querer voltar e fazer tudo diferente ocorreu e me estagnou.
Antes que eu percebesse, aquela pessoa que estava empolgada em escrever um livro ajudando a esquece-lo de repente se tornou quem estava presa nele. Olhei o passado, ele me encarou de volta e disse: — "Você tem certeza que me perdoou?"
No Churros grátis (EP 6 Temp 5), Bojack ainda cita "Não existe fila de espera para morrer, (...) é de se esperar que sabendo disso fôssemos mais aventureiros e capazes de perdoar, mas isso nos torna pequenos e burros."
Talvez não seja sobre superar tudo magicamente, talvez se uma parte de nós tiver a consciência que alguma hora não terá mais sobre o que se lamentar, então seremos obrigados a seguir em frente.

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